Este artigo tem como objetivo discutir a validade teórica e a usabilidade clínica e cultural da psicologia analítica de Carl Gustav Jung diante das demandas da sociedade contemporânea. Parte-se do pressuposto de que, embora a obra junguiana tenha sido historicamente marginalizada pela psicologia acadêmica de orientação positivista, seus conceitos centrais — arquétipos, inconsciente coletivo, individuação […]
Este artigo tem como objetivo discutir a validade teórica e a usabilidade clínica e cultural da psicologia analítica de Carl Gustav Jung diante das demandas da sociedade contemporânea. Parte-se do pressuposto de que, embora a obra junguiana tenha sido historicamente marginalizada pela psicologia acadêmica de orientação positivista, seus conceitos centrais — arquétipos, inconsciente coletivo, individuação e função transcendente — permanecem operativos como ferramentas hermenêuticas para a compreensão do sofrimento psíquico e dos fenômenos culturais atuais. Por meio de revisão narrativa da literatura, o estudo articula as posições de autores como Shamdasani, Hillman, Samuels, Stein, Roesler e Main, contrapondo críticas epistemológicas ao legado junguiano e defesas de sua atualidade. Conclui-se que a validade da teoria de Jung não deve ser aferida pelos critérios estritos do positivismo experimental, mas por sua capacidade heurística e clínica, havendo, contudo, necessidade de depuração conceitual e de diálogo com a neurociência, a antropologia e os estudos empíricos em psicoterapia para que sua usabilidade contemporânea seja sustentada com rigor.
Palavras-chave: psicologia analítica; Carl Gustav Jung; inconsciente coletivo; individuação; psicoterapia contemporânea.
