RESUMO A publicação do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) consolidou um modelo descritivo e categórico hegemônico na psiquiatria contemporânea. A tradição psicanalítica desenvolveu uma lógica diagnóstica própria, centrada na dinâmica inconsciente, na transferência e na singularidade do sujeito. O presente artigo investiga os motivos pelos quais psicanalistas frequentemente se recusam a emitir […]
RESUMO
A publicação do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) consolidou um modelo descritivo e categórico hegemônico na psiquiatria contemporânea. A tradição psicanalítica desenvolveu uma lógica diagnóstica própria, centrada na dinâmica inconsciente, na transferência e na singularidade do sujeito. O presente artigo investiga os motivos pelos quais psicanalistas frequentemente se recusam a emitir diagnósticos nosológicos baseados no DSM, argumentando que tal prática é epistemologicamente incompatível com os fundamentos da psicanálise e eticamente questionável. Explora-se a concepção psicodinâmica de diagnóstico como processo contínuo e como compreensão estrutural da personalidade. Examinam-se as críticas dirigidas ao DSM, com ênfase na superficialidade descritiva, na fragmentação das síndromes e no apagamento da subjetividade. Discutem-se as razões pelas quais o diagnóstico DSM pode interferir negativamente na escuta clínica e na relação transferencial. O trabalho reconhece cenários em que o psicanalista pode, pragmaticamente, recorrer ao manual em exigências institucionais, comunicação interdisciplinar e pesquisa, desde que mantenha clara distinção entre os registros epistemológicos. Conclui-se que a coexistência entre o olhar psicanalítico e a classificação psiquiátrica é possível quando o DSM é situado como ferramenta auxiliar da compreensão do sujeito do inconsciente.Palavras-chave: psicanálise; diagnóstico psicodinâmico; DSM; psicopatologia; diagnóstico estrutural.
Nota: O autor deste artigo é o editor responsável da revista. A avaliação por pares foi conduzida por revisor(es) independente(s).
